A MESA DA PALAVRA – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A

A MESA DA PALAVRA

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A
Itumbiara, 25 de outubro de 2026
Mês do Rosário e das Missões

“Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face”

Irmãos e irmãs,

A vida cristã tem um centro que deve iluminar tudo o que somos e fazemos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor dele. A oração coleta deste domingo pede ao Senhor que aumente em nós a fé, a esperança e a caridade, para que aprendamos a amar aquilo que Ele nos ordena. Essa oração torna-se um exame de consciência: o amor que professamos na oração transforma efetivamente nossas escolhas, nossas relações e nossos deveres cotidianos? A Palavra de Deus nos ajudará a responder e a renovar nossa vida.

  1. “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade” (da Coleta)

A oração da coleta exprime uma verdade fundamental da vida cristã: toda a nossa vida tem origem na graça de Deus, que nos precede, nos sustenta e nos conduz, suscitando em nós uma resposta livre de fé e de amor. Pedimos ao Senhor que fortaleça em nós as virtudes teologais – a fé, a esperança e a caridade – e nos conceda a graça de amar aquilo que Ele nos ordena, para que, iluminados pela sua Palavra e sustentados pelo seu auxílio, vivamos em conformidade com a sua santa vontade. Façamos dessa oração um apelo constante à conversão, capaz de orientar nossos pensamentos, nossas decisões e nossas atitudes.

São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, recordava, numa expressão citada pelo Papa Bento XVI: “Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. […] Como é belo!”. Essas palavras convidam-nos a reconhecer que toda a existência pode ser vivida na presença do Senhor e transformada em oferta de amor. Como ensinava São Josemaria Escrivá, o trabalho e as circunstâncias ordinárias são também lugar de encontro com Deus e de serviço aos outros. As responsabilidades familiares, as relações pessoais e o cuidado dos mais frágeis tornam-se, assim, ocasiões concretas de santificação.

Amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento significa colocá-lo no centro da existência, permitindo que sua graça ilumine e transforme todas as suas dimensões. Não basta reservar determinados momentos para a oração se, nas escolhas de cada dia, não procuramos discernir e cumprir a vontade do Senhor. A oração autêntica conduz à conversão e traduz-se numa vida coerente com o Evangelho. Fortalecidos pela graça divina, a fé leva-nos a confiar em Deus, a esperança sustenta-nos na expectativa de seus dons e da vida eterna, e a caridade une-nos a Ele e nos impele a amar o próximo. Assim, as virtudes teologais orientam toda a nossa vida para Deus e nos fazem crescer na santidade.

  1. “Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão, minha cólera se inflamará contra vós” (Ex 22,22-23)

A primeira leitura mostra que o amor a Deus exige responsabilidade diante do sofrimento humano. O Senhor ordena ao seu povo que não oprima o estrangeiro, não maltrate a viúva e o órfão e não explore o pobre. E declara: “Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso”. Deus escuta o clamor dos que sofrem e não permanece indiferente à injustiça, à pobreza ou à fragilidade humana.

O povo de Israel devia recordar que também havia sido estrangeiro e oprimido no Egito. Tendo experimentado a libertação e a misericórdia de Deus, não podia esquecer sua própria história nem negar aos outros a acolhida de que um dia precisara. Essa memória também nos interpela: se Deus é paciente conosco, como podemos ser implacáveis com nossos irmãos? Se esperamos compreensão e perdão, como podemos negar aos outros aquilo de que também precisamos?

O próximo não é apenas aquele de quem gostamos ou que compartilha nossas ideias, mas também quem sofre, quem está só e quem precisa de nossa atenção. Por isso, a caridade concretiza-se em gestos reais: uma palavra que consola, uma visita a quem vive na solidão, uma ajuda a quem passa necessidade ou um perdão oferecido com sinceridade. O salmista nos recorda: “Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação”. É nessa confiança que encontramos forças para perseverar na misericórdia, mesmo quando ela exige sacrifício e generosidade.

III. “Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir a Deus, esperando o seu Filho” (1Ts 1,9-10)

Na segunda leitura, São Paulo elogia os cristãos de Tessalônica porque acolheram a Palavra com alegria, apesar das tribulações, e se tornaram exemplo para outras comunidades. Sua fé não ficou apenas nas palavras: transformou sua vida e tornou-se testemunho.

Também nós precisamos reconhecer os falsos deuses que podem ocupar o centro de nossa existência: o dinheiro, o poder, o prestígio, o egoísmo, a necessidade de ter sempre razão ou a indiferença diante dos outros. Quando essas realidades passam a determinar nossas escolhas, afastamo-nos de Deus e perdemos a liberdade de amar.

Converter-se significa voltar a colocar o Senhor no centro da vida e permitir que essa escolha transforme nossas relações e decisões. Os pais testemunham a fé na dedicação à família; o trabalhador, na honestidade e na justiça; quem perdoa, na misericórdia; e a comunidade que acolhe os pobres, na prática do Evangelho.

É também aqui que se manifesta um aspecto importante da vocação missionária da Igreja. Ser missionário significa anunciar Cristo por meio da palavra, da oração, do serviço e do testemunho de vida. Quando a Palavra de Deus transforma nosso modo de viver, torna-se testemunho capaz de alcançar outros corações.

  1. “Amarás o Senhor teu Deus […] e ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37.39)

Àqueles que lhe perguntam qual é o maior mandamento, Jesus responde apresentando dois amores inseparáveis: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento, e amar o próximo como a nós mesmos. Não nos é dado escolher entre dedicar-nos a Deus e cuidar das pessoas. Jesus une os dois mandamentos e declara que toda a Lei e os Profetas dependem deles. O amor é, portanto, o princípio que dá sentido à nossa relação com Deus e à nossa convivência com os irmãos.

Amar a Deus com todo o nosso ser significa reconhecê-lo como o centro da existência, acima de nossos interesses, ambições e vontades particulares. Esse amor deve transformar o modo como pensamos, decidimos e agimos. Do mesmo modo, o amor ao próximo não se reduz a simpatias humanas nem a fazer o bem somente àqueles a quem prezamos. Amar significa reconhecer a dignidade de cada pessoa e buscar seu verdadeiro bem, mesmo quando o perdão exige humildade, a paciência custa ou a solidariedade pede sacrifício.

O próprio Jesus nos ensina a medida desse amor. Ele se aproximou dos pecadores, dos enfermos, dos pobres e dos desprezados. Não se limitou a falar da misericórdia: tocou os feridos, acolheu os pequenos, perdoou os pecadores e entregou a própria vida por nós. Por isso, o mandamento do amor não é uma ideia abstrata nem uma exigência impossível. Em Cristo, vemos o amor de Deus feito vida e recebemos a graça necessária para aprender a amar como Ele amou.

São João Crisóstomo, ao refletir sobre a relação entre a Eucaristia e a caridade, dirige aos cristãos uma pergunta que continua a nos interpelar: “Queres honrar o Corpo de Cristo? Então, não O desprezes em seus membros – isto é, nos pobres que não têm o que vestir –, nem O honres no templo com vestes de seda enquanto O deixas, lá fora, ao frio e à nudez”. (Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 50, 3-4). O santo não opõe a veneração eucarística à caridade, mas mostra que não podemos separar o Cristo que recebemos no altar daquele que nos espera no irmão necessitado. A adoração verdadeira torna nosso coração mais atento, nossas mãos mais generosas e nossa vida mais semelhante à de Jesus.

Essa palavra ilumina também nossa participação na Missa. Aproximamo-nos da mesa do Senhor para receber o dom de seu Corpo e de seu Sangue; esse encontro, porém, deve prolongar-se quando saímos da igreja. A comunhão com Cristo deve crescer em comunhão fraterna. Se recebemos aquele que se entregou por nós, somos chamados a vencer o egoísmo, a reconciliar-nos com quem nos ofendeu e a não permanecer indiferentes diante de quem passa fome, sofre a solidão ou precisa de acolhida. A Eucaristia alimenta em nós o amor que celebramos e nos envia a torná-lo concreto.

A missão da Igreja consiste em anunciar o Evangelho e testemunhar, por palavras e atitudes, a vida nova que recebemos de Cristo. Ao aproximar-se o encerramento do mês das Missões, renovemos nosso compromisso de levar Cristo aos que ainda não o conhecem e de reacender a fé onde ela se encontra enfraquecida. O Senhor confia também a cada um de nós a tarefa de levar a luz do Evangelho aos ambientes em que vivemos: na família, no trabalho, na comunidade e junto daqueles que esperam uma palavra de esperança ou um gesto de caridade. A Virgem Maria nos ensina a unir a oração à solicitude pelos irmãos. Ao rezarmos o Rosário, peçamos-lhe a graça de amar mais profundamente a Deus e de nos tornarmos, por toda a nossa vida, testemunhas fiéis de seu Filho.

Caros irmãos, ao sairmos desta celebração, levemos conosco o propósito de traduzir em obras aquilo que professamos com os lábios e celebramos no altar: mais paciência nas relações familiares, mais disposição para perdoar, mais atenção aos que sofrem e maior generosidade no serviço aos irmãos. Assim, o amor a Deus tornar-se-á visível em nossa vida cotidiana.

Peçamos ao Senhor que aumente em nós a fé, a esperança e a caridade, para que, fortalecidos por sua graça, sejamos testemunhas fiéis de Cristo e levemos a alegria do Evangelho àqueles que ainda não o conhecem.

Assim, alimentados pela Eucaristia e conduzidos pela graça, cresceremos no amor a Deus e aos irmãos, até o dia em que, na plenitude da vida eterna, poderemos contemplar para sempre aquele a quem procuramos amar e servir nesta vida.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Diocese de Itumbiara
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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.