A MESA DA PALAVRA – São João Maria Vianney, presbítero – Memória

A MESA DA PALAVRA

São João Maria Vianney, presbítero – Memória
Itumbiara, 4 de agosto de 2026

Jubileu Diocesano dos Sacerdotes

«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos» (Mt 9,37)

Hoje a Igreja celebra a memória de São João Maria Vianney, patrono dos párocos e testemunha luminosa de santidade sacerdotal. Para nós, fiéis da Diocese de Itumbiara, esta memória assume um significado ainda mais intenso: no contexto do ano jubilar da nossa Diocese, reunimo-nos em torno do altar para agradecer a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial e pelos presbíteros que, entre nós, servem generosamente o povo santo de Deus. Não por acaso escolhemos este dia, pois a Igreja nos apresenta o santo Cura d’Ars como modelo de vida sacerdotal, de santidade e de ardor apostólico.

A ardente santidade e o vigoroso apostolado do nosso patrono fizeram dele um exemplo luminoso de entrega na vida sacerdotal. Desde domingo passado, muitos de nós temos felicitado os padres; e essa justa manifestação de estima torna-se, nesta celebração, oração mais intensa pelas vocações sacerdotais e pela santificação daqueles que, nestas terras tão queridas da nossa Diocese, procuram corresponder ao chamamento do Senhor. Assim, desde o início, somos convidados a contemplar o padre como trabalhador da messe, sentinela da Palavra e pastor segundo o coração de Cristo.

Certamente não se trata de um dia de exaltação dos ministros sagrados. Trata-se, antes, de um momento de particular intercessão pelos sacerdotes, para que, superando as fragilidades próprias da condição humana, exerçam com santidade a sublime missão que a Igreja lhes confiou mediante a ordenação. Com os joelhos dobrados em adoração e súplica, ofereçamos também este santo sacrifício, pedindo que Deus envie muitos operários para a sua messe.

Ao suplicarmos hoje a misericórdia de Deus, mediante o dom da indulgência, nos lembramos das palavras do santo Cura d’Ars: muitas vezes, quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedimos com fé viva e coração puro (cf. São João Maria Vianney, Catéchisme sur la prière).

A liturgia própria deste santo presbítero nos faz contemplar o sacerdócio a partir do zelo pastoral. A oração da Igreja, a Palavra proclamada e a memória do Cura d’Ars convergem para uma mesma verdade: o pastor segundo o coração de Cristo não vive para si; vive para conduzir os irmãos ao amor de Deus e à comunhão eterna com o Senhor.

A coleta própria pede ao Deus onipotente e misericordioso que, tendo feito de São João Maria Vianney um sacerdote admirável no zelo pastoral, nos conceda imitar o seu exemplo, ganhar para Deus, no amor de Cristo, os nossos irmãos e, com eles, alcançar a glória eterna. Esta oração dá o tom de toda a celebração: a santidade sacerdotal não é fechamento em si mesma, mas caridade pastoral que procura, acompanha, adverte, cura e reconduz.

A primeira leitura, tomada do profeta Ezequiel, apresenta-nos a imagem da sentinela. Deus constitui o profeta como vigia da casa de Israel: ele deve ouvir a palavra que sai da boca do Senhor e transmiti-la ao povo. Esta é uma chave preciosa para compreender o ministério ordenado. O sacerdote não é dono da Palavra; é sentinela a serviço dela. Não fala para agradar, mas para salvar; não silencia por comodidade, mas adverte por amor; não se impõe como senhor das consciências, mas permanece vigilante para que ninguém se perca.

Esta sentinela não vigia de longe, com frieza, mas a partir da responsabilidade recebida de Deus. A Palavra confiada ao ministro é palavra de vida, capaz de chamar o pecador à conversão e de confirmar o justo no caminho do bem. Por isso, a missão sacerdotal inclui coragem espiritual: coragem para anunciar, corrigir, consolar e permanecer junto do povo quando a verdade se torna exigente.

São João Crisóstomo, no seu tratado De Sacerdotio, contemplava esta missão com santo temor, afirmando que o sacerdócio se exerce na terra, mas pertence à ordem das realidades celestes (cf. De Sacerdotio, III, 4). Com isso, ele nos recorda que o padre toca a vida concreta do povo, mas o faz com uma graça que não vem dele: é ministro de mistérios que o ultrapassam, administrador de dons que pertencem a Deus e servidor de uma salvação que tem o preço do Sangue de Cristo.

O santo Evangelho mostra Jesus percorrendo cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade. Antes de enviar os discípulos, o Senhor contempla a multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. O sacerdócio nasce deste olhar compassivo de Cristo. Antes de ser função, é participação no seu coração; antes de ser serviço organizado, é resposta à dor de um povo que precisa ser ensinado, santificado, curado e conduzido.

A messe é grande, mas poucos os operários” (Mt 9,37). Muitas vezes, em nossas missas, cantamos estas palavras do Senhor. Elas não são uma simples constatação estatística; são um chamado à oração e à corresponsabilidade. Jesus nos manda rogar ao Senhor da messe que envie trabalhadores. A vocação sacerdotal, portanto, não brota apenas de uma necessidade pastoral externa; brota do coração de Deus, que vê o seu povo, compadece-se dele e suscita ministros para prolongar no tempo a solicitude de Cristo Bom Pastor.

Santo Inácio de Antioquia, mártir da unidade, ajuda-nos a compreender que este ministério nunca é isolado. Ele exortava os fiéis a procurarem participar de uma só Eucaristia, pois uma só é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo e um só é o cálice para a união no seu sangue (cf. Epistula ad Philadelphenses, 4). A vida sacerdotal, portanto, é inseparável da comunhão: o padre não edifica uma obra própria, mas serve o único Corpo de Cristo, reunido em torno do altar e sustentado pela caridade eclesial.

Neste ponto, a figura de São João Maria Vianney aparece como comentário vivo ao Evangelho. O Cura d’Ars não acumulou para si; consumiu-se por Deus e pelo povo. A sua riqueza foi a Eucaristia celebrada com fé, a Palavra anunciada com simplicidade, o confessionário aberto como porta da misericórdia, a vida pobre e penitente oferecida pela salvação das almas. Nele vemos que a verdadeira fecundidade sacerdotal não nasce da busca de prestígio, mas da configuração a Cristo Bom Pastor.

À luz dessa Palavra, compreendemos melhor o ministério dos nossos padres. Eles são chamados a exercer, em favor do povo de Deus, o tríplice múnus recebido de Cristo: ensinar, santificar e governar.

O Papa Leão XIV recordou recentemente aos sacerdotes que o sacerdote é um amigo do Senhor (cf. Leão XIV, Discurso aos participantes do encontro promovido pelo Dicastério para o Clero, 26 de junho de 2025), chamado a viver com Ele uma relação pessoal e confiante, alimentada pela Palavra, pelos sacramentos e pela oração cotidiana. Esta amizade com Cristo é o fundamento interior do tríplice múnus: só quem permanece com o Senhor pode ensinar sem vaidade, santificar sem rotina e governar sem espírito de domínio.

Os padres ensinam quando anunciam a Palavra que liberta das falsas seguranças e conduz às coisas do alto. Santificam quando presidem à Eucaristia, reconciliam os pecadores, acompanham os doentes e sustentam a oração da comunidade. Governam na comunhão quando, com caridade pastoral, conduzem o rebanho não como donos, mas como servidores, ajudando todos a discernir a vontade de Deus e administrando retamente os bens temporais que os fiéis confiam à Igreja.

Por isso, neste jubileu diocesano dos sacerdotes, o nosso louvor não é mundano, mas eclesial: louvamos a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial; reconhecemos a beleza de homens que, apesar das fragilidades, foram escolhidos para agir em nome de Cristo Cabeça e Pastor; agradecemos os padres que batizam nossos filhos, ungem nossos enfermos, absolvem nossos pecados, partem para nós o Pão da vida e nos acompanham nos momentos decisivos da existência.

Permitam-me, neste momento, acrescentar uma palavra mais pessoal e familiar. Do fundo do coração, desejo manifestar a minha gratidão pelo testemunho de fidelidade de cada sacerdote desta Diocese. Agradeço a perseverança silenciosa, a generosidade cotidiana, a prontidão no serviço e a dedicação com que cada um, a seu modo, procura servir o povo santo de Deus. Agradeço também, com sincero apreço, a proximidade fraterna que sempre me foi manifestada desde o início do meu ministério episcopal: uma amizade discreta e leal, que muito me sustenta e consola no caminho comum da missão.

Renovemos, então, o nosso sentido de gratidão. Gratidão a Deus, que não abandona a sua Igreja e continua a chamar operários para a messe. Gratidão aos sacerdotes, que carregam no próprio corpo a fadiga e a alegria do ministério. Gratidão às famílias e comunidades que acolhem, sustentam e favorecem as vocações. Que esta gratidão se transforme em oração perseverante: para que os padres sejam santos, para que os jovens escutem o chamado do Senhor e para que todos nós, livres de toda avareza e verdadeiramente ricos para Deus, façamos da vida uma oferta de louvor, serviço e comunhão.

Diocese de Itumbiara
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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.