A Mesa da Palavra – XI Domingo do Tempo Comum – Ano A

A MESA DA PALAVRA

XI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Itumbiara, 14 de junho 2026

A messe é grande, mas poucos os operários” (Mt 9,36)

Caros amigos,

  1. Ó Deus, força daqueles que em vós esperam … dai-nos o socorro da vossa graça” (coleta)

Domingo passado saboreávamos a misericórdia do Senhor que veio para os pecadores, para os enfermos, não para os justos e sãos. E dentre os fracos, Ele escolhe aqueles que serão Suas testemunhas, como vimos acontecer com Mateus. Hoje ele nos chama ser parte de um povo eleito e constitui os Doze por divina vocação as colunas da Igreja: homens frágeis como nós, mas fortificados para uma grande missão. Necessitamos do favor de Deus que suplicamos na coleta: “Ó Deus, força daqueles que em vós esperam, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme a vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos” (Coleta).

Na Eucaristia, apresentamos ao Senhor o pão e o vinho. E estes dons que apresentamos são antes dados aos homens pelas mãos providentes de Deus: por eles sempre damos graças. E estes mesmos dons são transfigurados e, por graça de Deus, se convertem no “sacramento” que nos une a Cristo e que constrói a Igreja “na unidade e na paz”.

A união com Cristo é eficaz e plena se formos “fiéis aos mandamentos de Deus”, para agradá-lo não só pelas nossas belas intenções, mas pelas nossas obras coerentes e pela palavra que dá fruto na vida. Somos verdadeiramente Igreja, um “povo profético e sacerdotal”, se somos “missionários e testemunhas do Evangelho”, se “difundimos a mensagem evangélica de reconciliação e de paz pelas ruas do mundo”. Alimentamos a capacidade e o sabor de tudo isto especialmente graças ao dia do Senhor.

A missão que nos é confiada desde o nosso batismo exige forças sobrenaturais, celestes, que não obtemos por esforço pessoal ou comunitário. Ela provém dAquele que nos chama. A força do martírio, a força do testemunho vem da Cruz por meio do altar. Por isso os 49 mártires de Abitene (atual Tunísia), em 304, durante a sangrenta perseguição de Diocleciano proclamavam em alta voz: “Sine dominica non possumus”. Nada podemos sem o banquete do Dia do Senhor.

Aqui viemos também nós confiantes na bondade do Senhor que nos dá forças para as batalhas quotidianas.

  1. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6)

Não são as qualidades ou os méritos de Israel que o privilegiam entre os povos, mas apenas a graça de Deus, que o aproximou dele e o elevou num vínculo singular de amor e de comunhão. A aliança é um dom em que se ressalta a precedência divina. Mas é um presente que nos obriga, fruto de um amor que impele e que deve ser guardado com amor e zelo.

Por esta aliança Israel foi consagrado e santificado. Trata-se, portanto, de ouvir a voz de Deus e permanecer nessa escolha divina. É agora que se manifesta o nosso empenho: pois em Cristo todos os homens foram escolhidos e são objetos de benevolência e propriedade do Senhor.

É preciso corresponder a esta eleição, a esta escolha de amor, com a observância do Evangelho, a Sua Palavra; com a participação no sacrifício do Senhor que a Eucaristia nos apresenta e nos coloca à disposição; com a fiel guarda e experiência da graça do Espírito Santo. Correspondemos, portanto, sendo “seu povo e rebanho que ele conduz”.

III.Quando éramos ainda fracos Cristo morreu pelos ímpios” (Rm 5,6)

Fomos reconciliados pela morte do Filho e seremos salvos pela Sua vida. Não foi a nossa justiça, o nosso valor, que atraiu Deus para nós com a missão do seu Filho. Há um eros de Deus pelo qual o seu coração misericordioso se sente atraído pela nossa miséria. Então Ele nos abraça no seu ágape. Notava Bento XVI em Deus Caritas est n. 9: “O único Deus em que Israel crê, ama pessoalmente. Além disso, o seu amor é um amor de eleição: entre todos os povos, Ele escolhe Israel e ama-o — mas com a finalidade de curar, precisamente deste modo, a humanidade inteira. Ele ama, e este seu amor pode ser qualificado sem dúvida como eros, que no entanto é totalmente agape também”. O mistério do amor de Deus é paradoxal.

Foi o amor que surpreendentemente, manifestando-se na morte de Cristo, nos salvou quando éramos pecadores. Se Deus nos amou como éramos, então com maior razão, agora que formos reconciliados em sua amizade, ele nos deve amar muito mais.

Cristo morreu por nós”: esta verdade proclamada por Paulo deve estar presente, para alimentar continuamente a nossa memória e acender a nossa esperança. Este “por nós” é a grande revelação da caridade de Jesus que chegou ao ponto de se entregar absolutamente.

Mas tal fato nos deve fazer pensar, com gratidão e com dor de amor, no preço que o Senhor pagou para nos libertar da morte: nosso preço foi a morte do Senhor!

Se amamos o Senhor, não podemos nos sentir no direito de pecar. Não podemos mais pecar com calma e viver como se Jesus não nos tivesse feito este dom total de si mesmo. É preciso também reparar, chorar lágrimas vivas de amor.

  1. De graça recebestes, de graça dai!” (Mt 10,8)

Caros amigos, Jesus não apenas nos quis curar, libertar dos males da vida presente, da morte e do pecado. Ele quis nos tornar participantes da sua missão redentora, habilitando-nos mediante a força do Batismo e a graça da Confirmação, a viver na sua intimidade e a atrair outros irmãos para entrar no povo sacerdotal, nesta nação santa.

De fato, é o próprio Jesus quem proporciona a salvação do mundo, escolhendo e enviando os Doze apóstolos. Eles não irão para serem servidos, como patrões, mas para trabalhar, como trabalhadores. É um lembrete importante: na Igreja estamos no nosso lugar se trabalharmos arduamente, não é para nosso próprio proveito, mas para que o Reino de Deus e o plano da salvação se implantem em nós e entre nós.

O apóstolo passa a vida fazendo o bem. Ao curar os enfermos, ao ressuscitar os mortos, restaurar as forças perdidas, vencer o mal, o apóstolo cumprindo precisamente a missão messiânica de Jesus. Esta eleição do Senhor é uma grande graça. É preciso rezarmos sempre e sem esmorecer, para que o apelo a esta obra singular na Igreja e no mundo encontre uma adesão pronta e generosa. Mas então não devemos esquecer que todos somos enviados para trabalhar para que o Reino de Deus venha. Ninguém deve fechar-se para fazer uso da sua fé de forma individualista: pela experiência do encontro com o Senhor somos constituídos família de Deus. O Reino de Deus, a sua vinda, é a paixão de cada discípulo de Cristo.

No fim da manhã de hoje, o Papa Leão, abrindo o seu coração apostólico às multidões, assim comentava este evangelho que une tão de perto a vocação dos bispos à dos Apóstolos:

“O Evangelho deste dia (Mt 9, 36 – 10, 8) traz-nos um grande presente, pois envolve todos aqueles que o escutam sob o olhar de Jesus: é uma narrativa que, além de nos dizer o que o Senhor observa, testemunha a atenção do seu olhar. Na verdade, lemos que Cristo, «contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida» (v. 36). Tendo-se feito nosso irmão, o Filho de Deus olha para as pessoas, olha para a humanidade: vê a opressão que subjuga e a violência que tira as forças. Vê as feridas das guerras e o vazio do consumismo. Ele vê rostos reduzidos a máscaras, famílias destruídas pelo mal e jovens iludidos por falsos ideais. Jesus vê e ama. Ele ama e sofre por nós e conosco: a sua compaixão expressa não apenas proximidade fraterna, mas também a vontade de redenção”.

“Ele, com efeito, conhece o nosso coração e cuida dele: diante de tantas pessoas que são como «ovelhas sem pastor» (v. 36), Cristo dedica-se a todas elas enquanto bom pastor e, na qualidade de senhor da messe, envia trabalhadores para o campo do mundo (cf. v. 38). Qual é o trabalho que devem realizar? Oferecer o conforto de Deus a quem sofre: levar caridade onde há miséria, esperança onde há aflição, fé onde há desconfiança   .

“O Evangelho menciona os nomes dos primeiros doze “trabalhadores”: são discípulos feitos apóstolos, ou seja, missionários e pregadores. Entre eles está Simão, chamado Pedro, o primeiro, mas também Judas Iscariotes, o último, para nos lembrar que é possível seguir Jesus e traí-lo. Mas o Evangelho permanece para todos como palavra viva e verdadeira. A Boa Nova que atravessa os séculos é idêntica, sempre jovem, fresca e libertadora: «O Reino do Céu está perto» (Mt 10, 7)! Sim, está próximo porque, em Jesus Cristo, Deus aproxima-se de cada homem e mulher, de cada povo e nação. Quando este Evangelho é anunciado e praticado, o mal desmorona como uma doença que chega ao fim (cf. v. 8), como uma noite que dá lugar à aurora, como a morte vencida pelo Ressuscitado”.

“É assim que o olhar de Jesus transforma a realidade: a sua iniciativa, cheia de amor, dá vida a um povo novo – a Igreja –, chamado a continuar a missão dos apóstolos: «Recebestes de graça, dai de graça» (v. 8). Sim, o dom de Jesus é totalmente gratuito, porque o seu valor ultrapassa toda a medida: é impossível merecê-lo ou “comprá-lo”. Esta graça é o belíssimo nome da misericórdia de Deus, que nos alcança em qualquer lugar, para nos levar até a si. «Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 38)!”

“Caríssimos, a tarefa de evangelizar nasce do dom de Deus que, em Cristo, se torna perdão para o mundo, serviço aos pequeninos e pobres, empenho pela justiça. Peçamos a ajuda da Virgem Maria, cheia de graça, a fim de respondermos com alegria e coragem à missão para a qual Jesus nos chama”.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.