A MESA DA PALAVRA
Segunda-Feira depois da Epifania
Bom Jesus, 5 de janeiro de 2026
“Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas,
pregando o Evangelho do Reino”
Prezado Pe. Pablo Henrique de Faria,
Estimados familiares de Pe. Pablo,
Prezado Diácono Vinícius Almeida,
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,
A Santa Igreja continua a celebrar a manifestação do Senhor e a glorificar o Seu Nome Santíssimo. Estamos aqui para bendizer o Senhor e cantar as maravilhas que Ele fez, faz e fará em nossas vidas.
- “Raiou para nós um dia de bênção…” (Antífona de entrada)
Sim, caros amigos, hoje raiou para nós um dia de bênção. Assim começa a antífona de entrada da missa de hoje, missa do tempo da Epifania. É breve, mas intenso este tempo litúrgico da Epifania. Ao manifestar-se sua missão de salvação universal, o Senhor nos desperta para a beleza e o fulgor da glória de Deus.
Nesse contexto, também o acontecimento que nos une aqui hoje, adquire uma transcendência que não escapa à nossa atenção. A bondade de Deus se manifesta na nossa Diocese com a chegada de um sacerdote que escolhemos para pastor próprio desta querida Paróquia de Bom Jesus.
Nós sacerdotes nos sentimos tocados pela oração em que a Igreja diz que “o Verbo eterno ornou a face do céu e assumiu da Virgem Maria a fragilidade da nossa carne” (Coleta). Não nos assusta a nossa fragilidade porque o próprio Senhor, o Rei dos Reis quis assumi-la no momento da encarnação e, por meio dela, torna visível o rosto do Deus invisível. Por isso nos unimos à oração da Igreja para suplicar que na nossa fragilidade, “aquele que, como esplendor da verdade, apareceu entre nós, manifeste a plenitude do seu poder para a redenção do mundo” (ibd.).
Na vida paroquial há de se manifestar a plenitude do poder de Deus mediante as três dimensões do múnus pastoral que é confiado ao Pe. Pablo Henrique como pastor e guia da comunidade: o ministério de ensinar, o de santificar e o de governar na comunhão. A palavra de Deus ilumina a inteligência para conhecer a verdadee suscita o desejo do bem conhecido como tal. Pela celebração dos sagrados mistérios o Senhor nos alimenta pelas mãos do sacerdote com a força da graça de Deus. Pela missão de governar na comunhão a comunidade dos filhos de Deus, o bom pastor exerce a função de guia que nos leva unidos como irmãos para o coração de Cristo e da Igreja.
A nossa liberdade de filhos de Deus se manifesta na fidelidade com que acolhemos a verdade da doutrina católica, a magnitude dos sacramentos e a alegria de sermos membros da Igreja una, santa, católica e apostólica, bem unida ao Santo Padre.
Vale a pena lembrar que não somos livres quando seguimos nossos caprichos, nossa vontade. Somos livres quando, iluminados pela graça, nos alegramos em fazer a vontade de Deus – ainda que árdua – em todas as dimensões de nossa vida, pessoal ou comunitária, na Igreja ou nos ambientes mais adversos da sociedade civil.
- “Examinai os espíritos para ver se são de Deus” (I Jo 4,1).
Na primeira leitura o discípulo amado nos recorda que é preciso confiar no Senhor, guardar os seus mandamentos e fazer o que é do Seu agrado. Na vontade de Deus se unem duas virtudes fundamentais: a fé e a caridade. É preciso crer no Nome de Jesus Cristo (FÉ) e que nos amemos uns aos outros (CARIDADE). Só assim permanecemos nele e o Espírito permanece em nós. Só assim somos Igreja pela pertença exterior, mas também e principalmente pela adesão interior ao Corpo de Cristo. Só assim caminhamos com ESPERANÇA para a vida eterna
Pelo ministério da Palavra, o Pároco transmite fielmente aos paroquianos o que a Igreja recebeu de Cristo pelos Apóstolos. As verdades da fé acolhidas com amor iluminam a alma e nos dão a graça de discernir o que é de Deus das insinuações do anticristo ou do príncipe das trevas. O pastor não escolhe as doutrinas que lhe agradam, e o povo acolhe os tesouros que o pastor lhe oferece por sua vida e pregação. Permanecendo nesta fidelidade “qual quer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado” (I Jo 3,21).
Aos irmãos desta querida paróquia de Bom Jesus, dirijo o mesmo pedido feito por São João: “não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus”. Este exame deve ser feito à luz da Palavra de Deus tal como a transmite o Magistério da Igreja, “pois muitos falsos profetas vieram ao mundo”.
É necessário, portanto, saber que há duas formas de falsificar a mensagem e a Pessoa de Cristo. A primeira é tratá-lo como se fosse um mito entre outros, que pode até nos inspirar certos valores de mera convivência humana, negando-lhe, porém, a existência real na história por ter assumido a carne humana no ventre de Maria. Nesse sentido podemos dizer com o Apóstolo João, que “todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus”. Mas, por outro lado, todo espírito que afirma o contrário, dizendo que a humanidade de Jesus não é realmente unida à sua divindade, este não é de Deus. É do Anticristo, que já está no mundo e ronda os cristãos para seduzi-los com doutrinas meramente humanas ou do pai da mentira. Por conseguinte, tanto o estéril espiritualismo desencarnado quanto o frágil sofisma ativista da politização radical do Evangelho enganam, seduzem e levam a perder a vida na graça, a caridade fraterna e a comunhão com Deus.
Os pastores fiéis, homens enamorados de Cristo e da Igreja, podem dizer em primeira pessoa o que foi dito pelo Apóstolo: “Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro”.
Rezo hoje para que ao transmitir a doutrina de Cristo, o Pe. Pablo – ladeado pelo Diácono Vinícius – transmita fielmente a esta comunidade os tesouros da Palavra que a Igreja guarda, saboreia e proclama ao longo dos séculos. Tal pregação suscita a caridade cristã que transforma profundamente as relações humanas. O que antes era domínio agora se torna comunhão. O que era desigualdade injusta se torna fraterna equidade. É aqui que a liberdade alcança sua plenitude: ser livre é reconhecer no outro um filho de Deus e tratá-lo como irmão.
III. “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”
Após a prisão de João Batista, Jesus volta para a Galileia, deixa de morar em Nazaré, e passa a viver em Cafarnaum, a aldeia onde vivia Pedro. Jesus vive na casa de Pedro, a poucos passos da Sinagoga. Jesus vive na Igreja.
Ele se torna a luz que a Galileia dos pagãos não conhecia. “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. Jesus é a Luz. Ele ilumina as trevas com a pregação do reino e os sinais que realiza entre os que sofrem.
O Evangelho nos narra que Jesus “andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino”
Mas além de ensinar, de convidar à conversão, ele passou por toda parte “curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”, e o fez como faz a Igreja através dos sacramentos: cura doenças (aquilo que causa dor, sofrimentos) e enfermidades (aquilo que tira a firmeza, a solidez da vida corporal e espiritual. Sua pregação era confirmada pelos sinais messiânicos já preconizados pelos profetas. E o povo o seguia, levando-lhe “todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos”.
E Jesus os curava. Oxalá o nosso ministério sacerdotal leve luz e cura ao Povo de Deus, aos que se aproximam de nós, aos próximos e aos distantes. Oxalá passem a ser numerosas as multidões que seguem a Jesus ao passarem pelo nosso caminho de sacerdotes e pastores da Igreja.
- O ministério do pároco: pastor no meio do povo
O que ouvimos do discípulo amado na sua primeira carta e de São Mateus no seu Evangelho é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso Caminho. E é à luz desta Palavra que acolhemos hoje o padre Pablo como novo Pároco desta comunidade Paroquial de Bom Jesus.
Resumindo o que disse difusamente pouco antes, desejo ressaltar que o munus parochi, como ensina o Código de Direito Canônico, é ser o pastor próprio da paróquia confiada, sob a autoridade do bispo, exercendo em nome de Cristo o tríplice múnus: ensinar, santificar e governar (c. 519).
O Pároco é em primeiro lugar homem da Palavra, que anuncia com fidelidade e coragem o Evangelho que por primeiro ouviu e meditou com docilidade ao Espírito Santo. Na sua qualidade de homem do altar o Pároco tem sua principal tarefa a celebração dos sagrados mistérios. É homem da Eucaristia, adorador e celebrante fervoroso dos sacramentos que alimentam a vida cristã da graça de Deus. E é ainda pai espiritual, pastor e guia, que conduz com caridade a vida da comunidade paroquial e anima a dedicação dos fiéis à missão da Igreja, da qual participam por vocação batismal.
Diletos irmãos, olhemos para este sacerdote com o coração grato e sempre rezemos por ele. São João Crisóstomo afirmava: “Nada há de mais sublime na terra do que a alma de um sacerdote que governa a Igreja, pois ele é chamado a fazer as vezes de Cristo” (Hom. in Act. Ap. III). E você, caríssimo filho, lembre-se de Santo Agostinho que dizia: “Para vós sou bispo, convosco sou cristão” (Sermo 340,1). Ser cristão com os fiéis é motivo de alegria. Ser pastor para eles é um risco que nos faz rezar. Assim, o pároco é ao mesmo tempo guia e irmão, servo e testemunha.
Rezemos hoje pelo nosso pároco, para que, a exemplo do Bom Pastor, viva este ministério com fidelidade, mansidão e coragem. E na comunhão com a Igreja orante, supliquemos a Deus que a vida desta paróquia, “que a nossa vida seja sempre sustentada pela força dos vossos santos mistérios” (Pós comunhão).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

