A MESA DA PALAVRA
Missa com Te Deum
Missa Vespertina da Solenidade da Santa Mãe de Deus
Ação de Graças pelo encerramento do Ano civil
“Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível, único, honra e gloria pelos séculos dos séculos. Amém!” (I Tim 1,17).
Caríssimos irmãos e irmãs!
- “Te, Deum, laudamos…”
Ao celebrar esta tarde as primeiras Vésperas da Santa Mãe de Deus a Igreja começou a saborear a riqueza singular da liturgia que coroa a Oitava de Natal. Esta riqueza deriva do vertiginoso mistério do Verbo nascido da Virgem Maria que celebramos ao mesmo tempo em vivemos a passagem do fim do ano solar de 2025 para o nascimento do novo ano de 2026 da graça do Senhor. Entre hinos, antífonas e salmos e o próprio Magnificat, a Igreja medita sobre o evento paradoxal de um Deus que nasce de uma Virgem, ou por converso, sobre o mistério da Maternidade divina da Virgem Maria. Ao mesmo tempo a oração das Primeiras Vésperas abre a solenidade que coroa a Oitava de Natal.
Com gratidão pelas graças recebidas no ano que se encerra, pedimos a Deus que estenda a sua bênção sobre o ano que se inicia invocando a intercessão da Santa Mãe de Deus para pedir que Cristo, nossa Paz, reine sobre nós, sobre a humanidade inteira. Pedimos, portanto a Deus a bênção dAquele «que é, que era e que vem» (Ap 1,8). Junto a isso nos unimos de coração ao Santo Padre, o Papa Leão, na expressão de gratidão pelo Jubileu que está em fase de conclusão. Uniremos ainda as nossas vozes no canto do Te Deum, que no final desta celebração eucarística, ressoará nesta Igreja Catedral como filial ação de graças pelo ano que vivemos. Nossas vozes se dilatarão a toda a Diocese de Itumbiara para alcançar as orações de irmãos e irmãs nossos com quem nos encontramos todos os dias nos vários ambientes e nas ruas de nossa cidade de Santa Rita do Paranaíba.
É precisamente na Maternidade divina que se encontra o fundamento da especial relação de Maria com Cristo. A Rainha da Paz deu à luz o Príncipe da Paz. E a Igreja instituiu o primeiro dia do ano como Dia Mundial de oração pela Paz, lembrada da especial presença da Virgem Maria no desígnio de salvação. Escolhendo Maria para Sua Mãe, Cristo, o Verbo encarnado, associa-a de modo todo singular à obra de redenção da humanidade.
Se esta noite, já antecipando o início da festa de amanhã a Igreja canta o Te Deum – e nos concede uma indulgência plenária pela gratidão manifestada – amanhã poderemos consagrar o ano que se inicia invocando o Espírito Santo com um Veni Creator – também anexo a outra indulgência plenária.
- “Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, non horruísti Víginis úterum”
Na primeira Leitura evocamos a tradição da primeira Aliança, que através de Aarão rogava a Deus a bênção sobre o povo de Deus. O texto o da bênção dos patriarcas, por muitos conhecido como Bênção de São Francisco, que a liturgia da Igreja prevê como benção solene durante o tempo comum. Na segunda Leitura, o Apóstolo recorda aos Gálatas e a nós que na plenitude dos tempos “Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher e sujeito à Lei de Moisés, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos” (Gal 4,4-5). Por isso a nossa oração agora já não visa aplacar a ira da divindade, mas bendizer a Deus chamando-O “Abbá – ó Pai” (Gal 4,6). Este modo de apresentar o mistério de Cristo faz pensar em um desígnio, um desígnio grande sobre a história humana. Um plano misterioso, mas com um centro claro, como um alto monte iluminado pelo sol em meio a uma de uma floresta: este centro é a «plenitude dos tempos».
Finalmente o evangelista Lucas nos lembra que na infância de Jesus os dados humanos e divinos se encontram com uma simplicidade desarmante, simplicidade tal que nem Deus se mantém distante do homem, nem o homem se intimida diante de Deus. O Filho de Deus se torna Filho de Maria e, justamente por isso, Maria é Mãe de Deus. É no seu regaço que os pastores vão encontrar Jesus e, depois deles, todos os homens. A simplicidade de Maria, Mãe de Deus e nossa nos ajuda a estar em casa como Jesus nos seus braços.
Caros irmãos, neste tempo sentimos a necessidade de um desígnio sapiente, benévolo e misericordioso. Que seja um projeto livre e libertador, pacífico e fiel como o da Virgem Maria que prorrompe no cântico do Magnificat. «A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem» (Lc 1,50).
No entanto, há outros desígnios que, hoje como ontem, envolvem o mundo. São sobretudo estratégias que visam a conquistar mercados, territórios, zonas de influência. Estr4atégias armadas, disfarçadas de discursos hipócritas, de proclamas ideológicos, de falsos motivos religiosos.
Mas a Santa Mãe de Deus, a menor e a mais alta entre as criaturas, vê as coisas com o olhar de Deus: vê que com a potência do seu braço o Altíssimo dispersa as tramas dos soberbos, derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes, enche de bens as mãos dos famintos e esvazia as mãos dos ricos (cf Lc 1,51-53).
A Mãe de Jesus é a mulher com quem Deus, na plenitude dos tempos, escreveu a Palavra que revela o mistério. Ele não lha impôs: primeiro a propôs ao seu coração e, tendo recebido o seu “sim”, escreveu-a com inefável amor em sua carne imaculada. Assim, a esperança de Deus se entrelaçou com a esperança de Maria, descendente de Abraão segundo a carne e sobretudo segundo a fé.
Deus ama alimentar a esperança no coração das crianças, e o faz envolvendo-as em seu plano de salvação. Quanto mais belo o plano, maior a esperança. E, de fato, o mundo segue assim, impulsionado pela esperança de tantas pessoas simples, desconhecidas, mas não para Deus, que, apesar de tudo, acreditam em um amanhã melhor, porque sabem que o futuro está nas mãos Daquele que lhes oferece a maior esperança.
III. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus” (I Tes 5,18).
Que votos podemos fazer à Diocese de Itumbiara neste ano jubilar, no seu 60º Aniversário? Auguremos que seja digna de seus pequeninos. Digna das crianças, dos idosos solitários e frágeis, das famílias que lutam para sobreviver, dos homens e mulheres que vieram de longe em busca de uma vida cheia de dignidade.
Hoje, juntamente com a gratidão pelas graças que foram derramadas sobre nós, é muito útil para a nossa alma fazemos um exame de consciência profundo, marcado pela consciência da nossa filiação divina. E depois de termos reconhecido a nossa miséria, seremos abraçados pela misericórdia de Deus, fonte de toda a bênção. Eis donde brota a nossa sincera gratidão ao Bom Deus.
Pela grande maravilha da encarnação do Verbo, pela incomparável beleza da Maternidade divina de Maria, por tudo o que o Senhor realiza na nossa história, neste fim de ano dizemos: “Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível, único, honra e gloria pelos séculos dos séculos. Amém!” (I Tim 1,17).
Ao caríssimo Mons. José Luiz, ao querido Diácono Roberto, aos que servem este santo altar, e a todos os irmãos aqui presentes, enquanto ofereço o santo Sacrifício pelas melhores intenções de cada um, formulo meus sinceros votos de feliz ano novo, na Paz do Senhor Jesus. Só nEle, só no seu Nome Santíssimo encontramos a serenidade e a paz que ultrapassa todo entendimento (cf Flp 4,7).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

