A MESA DA PALAVRA – Dia de Finados

A MESA DA PALAVRA
Dia de Finados
Itumbiara, 2 de novembro de 2025
Novembro: Mês da celebração da esperança
“Luz terna, suave, no meio da noite, leva-me mais longe…” (S. João H. Newman)
Caros amigos,
I. A Liturgia é escola de fé, esperança e caridade.
A Liturgia católica é mestra na pedagogia da fé, da esperança e da caridade. O próprio calendário Litúrgico nos brinda este ano a abertura do mês de novembro com a Solenidade de Todos os Santos no seu dia originário segundo o calendário universal manifestando a grandeza do amor de Deus que nos chama a todos a uma santidade apostólica: os santos na sua história são testemunhas de fidelidade ao Senhor e modelos que nos atraem continuamente. A Igreja no-los apresenta como testemunhas do nosso destino de filhos de Deus e no-los dá como eternos intercessores.
A seguir, com a comemoração dos fiéis defuntos, o dia de finados o bom Deus nos ajuda a perceber duas graças ligadas à comunhão dos santos: a graça da redenção atuada no tempo e a graça da solidariedade com os que já partiram desta vida, mas ainda carecem de purificação. Os que recebem a indulgência e imergem na visão beatífica, na glória e na exultação de alegria perene, passam a formar parte do número dos santos (canonizados ou não) que nos ajudam a entrar decididamente na vida escondida com Cristo em Deus. O nosso caminho é o que a vida deles nos aponta: a oração sincera, afetuosa e cheia de intimidade com o Senhor; a renúncia a tudo o que nos separa do Senhor por meio da mortificação dos sentidos interiores e exteriores.
Ontem nos dedicamos a meditar sobre a Liturgia celeste da qual participam os que atravessaram e grande tribulação e tiveram sua veste lavada com o sangue do Cordeiro (1ª Leitura). A seguir ouvíamos o testemunho do discípulo amado que incute em nós a certeza de que somos filhos de Deus (2ª Leitura) e por fim a condição dos redimidos no céu, cuja alegria, fruto do Espírito Santo, começa no tempo e nos imerge no dinamismo da glória eterna, da visão beatífica, da bem-aventurança eterna. Ontem pudemos compreender a beleza do louvor que a Igreja eleva à santidade de Deus manifestada na vida dos Seus santos. Este esplendor que refulge especialmente na Virgem Maria, nos impele a participar dessa grande aventura do amor de Deus por nós, fonte de toda esperança.
II. Unidos na esperança ao Papa Leão.
Hoje nos dedicamos especialmente à oração por aqueles que “adormeceram no Senhor”. Rezamos por aqueles cujos corpos descansam aguardando a ressurreição e o juízo final: o cemitério, lugar do descanso e da espera da vinda gloriosa do Senhor.
Alegra-me agora partilhar com esta comunidade orante, a meditação do Santo Padre sobre o dia de finados. Inspirado no “primeiro Papa”, Leão XIV nos ajuda hoje a estar sempre prontos para dar as razões da esperança no tempo presente nos dias de hoje, sempre com bons modos, com respeito e mantendo a consciência limpa.  (cf I Pd 3,15-18).
No antigo Campo Santo Campo Verano, no bairro são Lourenço em Roma, o Santo Padre abriu seu coração aos irmãos romanos lá presentes e pronunciou uma belíssima homilia, que passo a reproduzir em seus passos mais salientes.
“Queridos irmãos e irmãs, reunimo-nos neste lugar para celebrar a comemoração de todos os fiéis defuntos, em particular aqueles que estão aqui sepultados e, com carinho especial, os nossos entes queridos. Eles deixaram-nos no dia da sua morte, mas trazemo-los sempre conosco na memória do coração. E esta memória permanece viva, todos os dias, em tudo o que vivemos. Frequentemente, encontramos algo que nos faz lembrar deles, imagens que nos remetem para o que com eles vivemos. Tantos lugares, e até mesmo os aromas das nossas casas, nos falam daqueles que amámos e que nos deixaram, mantendo viva em nós a sua memória”.
Antes de prosseguir com o Santo Padre, permiti-me pedir, irmãos aqui presentes, que rezemos unidos, além dos parentes e amigos de cada um, também pelos pastores desta Diocese que se encontram aqui sepultados: Padre Florentino Bermejo, Dom Velloso, Dom António Lino e Dom Antônio Fernando, de saudosa memória. Eles entregaram suas melhores energias, sua vida pela comunidade diocesana de Itumbiara. Retomemos as palavras do Santo Padre.
“Porém, hoje não estamos aqui simplesmente para lembrar aqueles que já partiram deste mundo. A fé cristã, fundada na Páscoa de Cristo, ajuda-nos a viver a memória não apenas como uma lembrança do passado, mas sobretudo como uma esperança futura. Não se trata tanto de olhar para trás, trata-se antes de olhar para a frente, para a meta do nosso caminho, para o porto seguro que Deus nos prometeu, para a festa sem fim que nos espera. Lá, em torno do Senhor Ressuscitado e dos nossos, saborearemos a alegria do banquete eterno. Naquele dia – ouvimos na leitura do profeta Isaías – «no monte Sião, o Senhor do universo preparará para todos os povos um banquete de carnes gordas. […] Aniquilará a morte para sempre» (Is 25, 6.8)”.
III. O farol que ilumina nossa esperança.
Esta confiança nós a proclamamos na liturgia de hoje, especialmente ao rezarmos o Prefácio I dos fiéis defuntos: “Nele [em Cristo] brilha para nós a esperança da feliz ressurreição; e, se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da futura imortalidade”. A esta consolação da promessa futura se une a certeza dos efeitos da ressurreição que aguardamos após o término do nosso itinerário terrenal. O mesmo prefácio nos leva a dizer a Deus com ainda maior confiança: “Senhor, para os que creem em vós a vida não é tirada, mas transformada e, desfeita esta morada terrestre, nos é dada uma habitação eterna no céu”. Para tudo há remédio, irmãos, especialmente para a morte… Viemos aqui, não apenas para chorar as saudades dos nossos falecidos, mas sobretudo para professara a fé na ressurreição.
“Esta “esperança futura” – prossegue o Papa Leão – anima a nossa memória e a nossa oração no dia de hoje. Não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida. Ele – como recordava numa catequese recente – é «o ponto de chegada do nosso caminho. Sem o seu amor, a viagem da vida tornar-se-ia um perambular sem meta, um erro trágico com um destino fracassado. […] O Ressuscitado garante a meta, conduz-nos para casa, onde somos esperados, amados, salvos» (Audiência Geral, 15 de outubro de 2025)”.
“E esta meta final, o banquete em torno do qual o Senhor nos reunirá, será um encontro de amor. Por amor, Deus nos criou; no amor do seu Filho, Ele nos salva da morte; na alegria do amor com Ele e com os nossos, Ele deseja que vivamos para sempre. Por isso mesmo, só quando vivemos no amor e praticamos o amor uns para com os outros, em particular para com os mais fracos e os mais pobres, caminhamos em direção à meta e antecipamo-la, num vínculo inquebrantável com aqueles que nos precederam. Com efeito, Jesus convida-nos com estas palavras: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36)”.
Qual é, porém o remédio, a condição que nos garante a bem-aventurança eterna? A fé e a esperança nos sustentam no caminho, mas é a caridade que tem a força da vitória sobre a morte. Não sem razão o Santo Padre continua afirmando que: “A caridade vence a morte. Na caridade, Deus reunir-nos-á com os nossos entes queridos. Se caminhamos na caridade, a nossa vida torna-se uma oração que se eleva ao Céu e nos une aos defuntos, aproxima-nos deles, esperando reencontrá-los na alegria da eternidade.
“Queridos irmãos e irmãs, enquanto a dor da ausência de quem já não está entre nós permanece gravada nos nossos corações, confiemo-nos à esperança que não engana (cf. Rm 5, 5); olhemos para Cristo Ressuscitado e pensemos nos nossos falecidos revestidos já da sua luz; deixemos ressoar em nós a promessa da vida eterna que o Senhor nos faz. Ele aniquilará a morte para sempre. Ele a venceu para sempre, abrindo uma passagem de vida eterna – isto é, fazendo Páscoa – no túnel da morte, para que, unidos a Ele, também nós possamos entrar nele e atravessá-lo”.
“Ele espera por nós e, quando O encontrarmos, no final desta vida terrena, alegrar-nos-emos com Ele e com os nossos queridos que nos precederam. Que esta promessa nos sustente, enxugue as nossas lágrimas e volte o nosso olhar para a frente, para aquela esperança futura que não morre”.
Ademais da gratidão filial por nos ter o Senhor criados capazes de Deus e cheios de anelo de transcendência e eternidade, somos chamados à caridade de procurar o refrigério para as almas dos irmãos já falecidos mas carentes de purificação.
A Igreja nos concede a possibilidade de ganhar indulgência plenária a modo de sufrágio pelos irmãos falecidos. Aos que visitarem o cemitério e rezarem pelos defuntos, – concede-se uma Indulgência plenária aplicável aos defuntos, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice.
Nos restantes dias do ano, Indulgência parcial (Enchir. Indugentiarum, n. 13). Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, igualmente lucra-se uma indulgência plenária, aplicável aos defuntos. A obra que se prescreve é a piedosa visitação á igreja, durante a qual se deve rezar a Oração Dominical e o Símbolo (isto é, o Pai Nosso e o Credo), confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice.
A oração pelos fiéis defuntos é uma preciosa obra de misericórdia para com os falecidos (não recordamos somente, cuidamos deles). Esta obra de misericórdia um dia nos beneficiará também a nós.
Que a Virgem Maria, nossa Senhora da Boa Morte nos ajude a viver bem o tesouro do tempo que o Senhor reservou para nós, lembrados daquelas palavras de São Paulo: “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós …   a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rom 8,18.21).
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
Luz, terna, suave, no meio da noite.
Leva-me mais longe…
Não tenho aqui morada permanente?
Leva-me mais longe…
Que importa se é tão longe para mim
A praia aonde tenho de chegar,
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do teu olhar.
Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a luz que me ilumina,
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados,
Meu desamor perdoa e meu pecado:
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado.
Se Tu me dás a mão não terei medo,
Meus passos serão firmes no andar.
Luz terna, suave, leva-me mais longe;
Basta-me um passo para a Ti chegar.
Diocese de Itumbiara
Diocese de Itumbiarahttps://diocesedeitumbiara.com.br/
A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.