A MESA DA PALAVRA – Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

A MESA DA PALAVRA

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

Missa do dia
Itumbiara, 28 de junho de 2026

Tu es Petrus et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam” (Mt 16,18).

Caros amigos,

A alegria apostólica da Igreja, que hoje celebra numa só festa

.o Corifeu dos Apóstolos e o Apóstolo dos Gentios, tem sua origem no tesouro da fé que deles recebeu e na missão evangelizadora de que participa, na unidade de uma só família: a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Unamos, uma vez mais, o nosso coração à oração da Igreja.

I.…hoje nos concedeis a santa alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo…” (Coleta).

A oração da Coleta desta solenidade nos coloca imediatamente no coração da celebração: ao honrar os apóstolos Pedro e Paulo, a Igreja suplica a graça de seguir em tudo os ensinamentos daqueles que lhe deram os fundamentos da fé. Não celebramos apenas duas figuras veneráveis do passado; celebramos, neles, a fidelidade de Deus, que sustenta a Igreja através dos séculos.

Pedro e Paulo aparecem unidos numa fraternidade que não se explica apenas pela memória, mas se consuma no sangue; não apenas pelo chamado, mas pela oblação; não apenas pela missão, mas pelo martírio em Roma. Seus dons foram diferentes, seus caminhos também; mas o termo da vida e da missão de ambos coincide no amor a Cristo, levado até o fim. Sem retomar aqui todo o percurso de cada um, basta recordar que a liturgia os reúne num mesmo louvor, como colunas de uma única casa espiritual.

Na antífona de entrada, a Igreja bendiz a Deus por estes santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja e a regaram com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se chegaram à plenitude da amizade com o Senhor.

A entrega total foi precedida por perseguições e prisões, que não conseguiram impedir o anúncio de Cristo. As cadeias prenderam os apóstolos, mas não prenderam a Palavra; os tribunais julgaram os mensageiros, mas não julgaram a verdade; a violência feriu os corpos, mas não venceu a fé. A consumação do martírio nos dá uma mensagem forte: a Igreja não nasce de estratégias humanas, mas do seguimento de Cristo até o dom da própria vida. A fé apostólica é fé provada, confessada e entregue.

II.Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele” (At 12,5).

O trecho dos Atos proclamado hoje nos mostra a Igreja que reza enquanto Pedro está preso. A intercessão da Esposa de Cristo alcança de Deus a libertação de Pedro e, nele, manifesta que Cristo não abandona a sua Igreja. Os cárceres guardavam Pedro, mas não guardavam a Palavra; as correntes prendiam o apóstolo, mas não prendiam a Igreja; a noite cercava a prisão, mas não apagava a luz de Deus.

A perícope dos Atos oferecida pela Liturgia solene de hoje não precisa ser repetida em seus detalhes. Basta acolher sua glosa central: enquanto Pedro se encontra preso, a Igreja reza continuamente por ele (cf. At 12,5). Pedro experimenta o peso do seguimento; a Igreja manifesta a força da comunhão. Daqui os católicos aprenderam a rezar sempre pelo Santo Padre: quando o pastor é provado, o povo intercede; quando a missão é ameaçada, a fé se ajoelha e a esperança se levanta.

O Senhor envia o seu anjo, rompe as correntes e conduz Pedro para fora do cárcere, mostrando que nenhuma força humana pode impedir a realização do desígnio de Deus. Cristo visita, levanta e reconduz à comunhão aquele que foi chamado a confirmar os irmãos.

O estribilho do salmo responsorial resume a confiança da Igreja: “De todos os temores me livrou o Senhor Deus” (Sl 33/34). Também hoje, em meio às prisões visíveis e invisíveis, às correntes do medo e do desânimo, o Senhor continua a guardar o seu povo.

III.Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7).

Na segunda leitura, vemos o testemunho do apóstolo que trocou o nome Saulo por Paulo (cf. At 13,9) e que, fazendo-se pequeno, aprendeu a confiar somente em Deus. Entre viagens e perseguições, trabalhos e lágrimas, embates e cansaços, o Apóstolo dos Gentios nos dá o testemunho da fé guardada até o fim.

Paulo, no entardecer de sua vida, oferece à Igreja um testemunho de fidelidade: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7). Não há nesse olhar amargura, mas entrega; não há vanglória, mas confiança; não há desespero diante do fim, mas esperança diante do Senhor. Oxalá, no ocaso da vida, possamos também dizer com ele: combati o bom combate.

A vigília de ontem nos levava a perceber como as vicissitudes da missão apostólica concorrem para amadurecer o apóstolo na perseverança, na entrega e na esperança de que o Senhor complete aquilo que começou (cf. 2Tm 4,17).

Se Pedro recorda a unidade e Paulo a missão, compreendemos que a Igreja guarda a fé quando a anuncia, e a anuncia retamente quando a guarda. O melhor modo de conservar fielmente o depositum fidei, a traditio, é transmiti-lo vivo, íntegro e fecundo às gerações que virão. Comunhão e missão, portanto, não são dois caminhos paralelos: são dois movimentos de uma mesma caridade, nascida do depósito da fé que Cristo confiou aos Apóstolos.

IV. E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Nesta solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e também no Dia do Papa, a liturgia nos conduz ao coração do Evangelho segundo São Mateus. Contemplemos, em espírito de oração, a cena de Cesareia de Filipe, onde o Senhor revela o fundamento visível da unidade da sua Igreja.

Jesus dirige aos discípulos uma pergunta decisiva: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13). As respostas são variadas, como variadas continuam a ser as opiniões do mundo em nossos dias. Mas o Senhor conduz o diálogo para além das impressões humanas e interpela diretamente aqueles que o seguem: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15).

Em nome dos Doze, Simão responde com a profissão de fé que atravessa os séculos e permanece no coração da Igreja: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Antes de confiar uma missão, Cristo suscita a fé; antes de constituir Pedro como fundamento visível da unidade, estabelece sobre ele o fundamento invisível da verdadeira confissão de fé.

É precisamente dessa profissão que nasce a promessa do Senhor: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,18). O ministério de Pedro não substitui Cristo; aponta para Cristo. Não obscurece o Senhor; serve à unidade dos discípulos na fé do Senhor. Em Pedro, Cristo concede à sua Igreja um princípio visível de comunhão que permanecerá até o fim dos tempos.

São Leão Magno contemplou admiravelmente esse mistério ao ensinar: “In Petro ergo omnium fortitudo munitur, et divinae gratiae ita ordinatur auxilium, ut firmitas quae per Christum Petro tribuitur, per Petrum Apostolis conferatur” – “Em Pedro é fortalecida a firmeza de todos; e o auxílio da graça divina é disposto de tal modo que a fortaleza concedida por Cristo a Pedro é comunicada, por meio de Pedro, aos Apóstolos” (Leão Magno, Sermo IV, De natali ipsius, 3. in PL 54, 151–152).

Desde os primeiros séculos, a Igreja reconhece que o ministério petrino não é um privilégio concedido a um homem, mas um serviço instituído por Cristo para confirmar os irmãos na fé e conservar a unidade do seu Corpo. Por isso, a comunhão com o sucessor de Pedro não diminui a identidade das Igrejas particulares; ao contrário, manifesta-lhes a plena catolicidade e as insere visivelmente na única Igreja de Cristo.

É por isso que, nesta solenidade, a Igreja no Brasil celebra também o Dia do Papa. Não se trata de uma homenagem meramente institucional, mas de um ato de fé e de comunhão eclesial. Ao rezar pelo Santo Padre, reconhecemos nele o sucessor do Apóstolo Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé, presidir na caridade e servir à unidade da Igreja espalhada pelo mundo inteiro.

Nesse contexto, ressoam com particular beleza as palavras de São Josemaria Escrivá: O amor ao Romano Pontífice deve ser uma bela paixão em nós, porque nele vemos Cristo”. Amar o Papa não significa deter-se na pessoa daquele que ocupa a Sé de Pedro, mas reconhecer, através do seu ministério, a solicitude permanente de Cristo, o Supremo Pastor, que continua a conduzir a sua Igreja pelos caminhos da história.

O Dia do Papa recorda-nos, enfim, que a fé católica nunca é uma realidade isolada. Cremos na Igreja e com a Igreja. Pertencemos a comunidades concretas, reunidas em paróquias e dioceses; mas cada Igreja particular floresce plenamente quando permanece em comunhão com todas as Igrejas e com aquele que, por vontade de Cristo, é o princípio visível da unidade. Rezar pelo Santo Padre é pedir ao Senhor que o fortaleça, ilumine e sustente no ministério que recebeu para o bem de toda a Igreja.

Conclusão: A alegria jubilar de nossa diocese e comunhão com Pedro

Caríssimos, ao celebrar Pedro e Paulo, nossa Igreja particular renova, de modo concreto, sua ligação com a Igreja apostólica. A comunhão com o Papa não diminui a vida da Igreja local; dilata-a. Não lhe rouba o rosto próprio; insere esse rosto no semblante católico da única Igreja de Cristo. Somos também chamados a nos unir em oração e a cooperar com a missão universal do Papa também pelo Óbolo de São Pedro, coleta destinada a servir ao ministério petrino, especialmente no cuidado dos pobres. E no nosso coração não cessamos de dizer: “Obrigado, meu Deus, pelo amor ao Papa que puseste no meu coração” (Caminho, n. 573).

A Igreja particular é plenamente Igreja quando permanece unida ao seu bispo, à fé dos apóstolos e à comunhão universal presidida pelo sucessor de Pedro. Por isso, neste Dia do Papa, nossa oração seja também compromisso: guardar a fé, perseverar na fração do pão e no ensinamento apostólico, viver a caridade e anunciar Cristo com coragem. Assim, enraizados no amor do Senhor, seremos, como pede a oração litúrgica, um só coração e uma só alma.

Prezados irmãos, invoquemos a Mãe da Igreja, a Virgem Maria, para que alcance de seu Divino Filho todas as graças de que o Santo Padre necessita para guiar a Igreja presente no mundo inteiro, tendo a Palavra como lâmpada para os seus passos e luz para o seu caminho.

 

Diocese de Itumbiara
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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.