A Mesa da Palavra: XVI Domingo do Tempo Comum – C

«Senhor… não prossigas viagem, sem parar junto a mim teu servo» (Gn 18,3)

Caros amigos,

Hoje pela manhã, em solene celebração eucarística ocorrida na Catedral, tive ocasião de acolher em nossa Diocese os seminaristas do Seminário Interdiocesano de Goiânia. Eles vêm para uma experiência missionária, anunciando o nome do Senhor em muitas casas. Esta experiência anual é parte importante da formação, ajudando-os a se tornarem discípulos e a viver como Cristo, que é o missionário enviado pelo Pai. Jesus veio ao mundo para que todos sejam salvos e conheçam a verdade. Nesta tarde acolhemos aqueles que participaram no encontro Getsêmani, entusiasmados com a vocação a ser discípulos missionários de Cristo.

Rezemos por estes irmãos para que Deus lhes conceda um tempo especial de graça e aprofundamento espiritual e vocacional. E que a todos nós nos conceda a graça de ser amigos de Deus.

I. “Multiplicai neles os dons da vossa graça” (Coleta)

Na oração coleta de hoje pedimos a Deus: “Senhor, sede propício a vossos fiéis e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem vigilantes nos vossos mandamentos”. Esta oração vem de um manuscrito antigo chamado Bergomense, escrito por volta do século IX, e foi adaptada para o Missal romano de Paulo VI em 1970.

Esta oração mostra claramente a relação essencial entre a pregação do Evangelho e a oração contemplativa das Escrituras e dos sacramentos. Pedimos a Deus a graça para viver com uma fé viva, esperança firme e caridade perfeita. Maria escolheu a melhor parte porque primeiro acolheu a Palavra de Deus que transforma os corações. Peçamos a Deus que multiplique seus dons em nós para acolher Cristo e evangelizar com fruto verdadeiro.

II. «Senhor… não prossigas viagem, sem parar junto a mim teu servo» (Gn 18,3)

A presença de Deus e a hospitalidade que os homens oferecem a Ele são temas da primeira leitura e do Evangelho de hoje. Na primeira leitura (Gn 18,1-10a), vemos como Deus apareceu a Abraão através de três misteriosos visitantes. Abraão percebe algo especial e acolhe-os com grande generosidade, oferecendo uma refeição magnífica. Ele diz humildemente: “Meu Senhor, não passeis sem parar junto ao vosso servo”. Abraão demonstra aqui sua profunda amizade com Deus, recebendo-O com respeito e desejo sincero de servi-Lo. Ao final, Deus promete-lhe um filho, revelando assim a natureza divina dos visitantes. Uma tradição cristã antiga viu nesses três personagens uma imagem antecipada da Santíssima Trindade, que Abrão quis acolher. Como nós acolhemos Jesus, com o Pai e o Espírito Santo.

III. “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”

O Evangelho (Lc 10,38-42) relata a visita de Jesus à casa de Marta e Maria, em Betânia. Jesus é acolhido com carinho especial. Marta se preocupa em preparar a refeição, mas Maria escolhe sentar-se aos pés de Jesus para ouvi-Lo. Jesus ensina que escutar a Palavra de Deus é o mais importante: “Marta, Marta, andas preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária”.

Na verdade, o mais importante não é o que fazemos por Deus, mas sim o que Ele realiza em nós por meio de Sua Palavra. Escutar e viver essa palavra é essencial para a salvação. Esta escolha não é apenas para religiosos contemplativos, mas é para todos nós. Antes de agir em missão, devemos primeiro ouvir e aprofundar a Palavra de Deus. Jesus nos ensina que nossa pregação provém do que temos no coração (“Os loquitur ex abundantia cordis”). A missão da Igreja é contemplar Deus e depois anunciar aos outros aquilo que contemplou (“contemplare et contemplata aliis tradere”).

Hoje de manhã, Leão XVI citou o Papa Francisco, que nos ensinou: para viver a alegria, precisamos tanto escutar Jesus aos seus pés quanto acolher com carinho aqueles que chegam até nós buscando conforto.

IV. “Completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo por Seu Corpo que é a Igreja” (Cl 1,24)

Ser fiel à vocação sempre será exigente e nos unirá à cruz de Cristo. São Paulo compreendeu isso profundamente e com alegria disse: “Completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo por Seu Corpo que é a Igreja”.

Essa fidelidade exige uma vida profunda de oração. Por isso, rezemos com Santo Agostinho: “Ouvi, Senhor, minha voz interior. Tende compaixão e atendei-me. Busco somente o Vosso rosto, não recompensas mundanas. Buscarei incansavelmente Vosso rosto para amar-Vos gratuitamente, pois não há nada mais precioso que Vós”.

Com Santa Isabel da Trindade, peçamos ao Senhor que suscite e faça crescer em nós o desejo de escutar e servir a Deus em tudo, permanecendo sempre junto Dele mesmo quando trabalhamos como Marta, mas com o coração contemplativo de Maria.
Finalmente, acompanhemos o coração e a voz do Papa Leão XIV que nesta manhã retomou o comentário de Santo Agostinho sobre o episódio de Marta e Maria: “Nestas duas mulheres – dizia Agostinho – estão simbolizadas duas vidas: a presente e a futura; uma vivida na fadiga e a outra no repouso; uma atribulada, a outra bem-aventurada; uma temporária, a outra eterna» (Sermão 104, 4). E pensando no trabalho de Marta, Agostinho disse: «Quem na terra está isento deste serviço de cuidar dos outros? Quem na terra consegue descansar destas tarefas? Procuremos desempenhá-las de forma irrepreensível e com caridade […]. O cansaço passará e o repouso chegará; mas o repouso só chegará por meio do cansaço. A barca passará e a pátria chegará; mas não se chegará à pátria senão por meio da barca» (ibid., 6-7)”.

Que o Senhor nos faça trabalhar como se tudo dependesse de nosso trabalho e nos faça rezar confiantes – porque assim deve ser – pois tudo depende de Deus. E estejamos certos: Maria Santíssima, que guardava todas as coisas em seu coração, nos acompanhará na nossa oração e entrega.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Diocese de Itumbiara
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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.