A MESA DA PALAVRA – Matrimônio de LÍRIA KETHLYN e PEDRO WILSON

 

A MESA DA PALAVRA

Matrimônio de LÍRIA KETHLYN e PEDRO WILSON

São Luiz de Montes Belos, 5 de setembro de 2026
Queridos noivos Líria e Pedro,

caros familiares e amigos da nova família,

Hoje, diante do altar de Deus, duas histórias tornam-se uma só vocação. Dentro de poucos instantes, os noivos pronunciarão palavras breves e definitivas. Deus acolherá esse consentimento e fará dele uma nova família fundada sobre uma aliança santa.

I. “Já não são dois, mas uma só carne (Mt 19,6)

A Igreja ensina que o matrimônio constitui uma “intima comunidade de vida e de amor conjugal”, fundada pelo Criador e estabelecida mediante a aliança dos esposos (Gaudium et spes, n. 48).

A palavra aliança exprime algo maior que um acordo. Um acordo permanece enquanto convém às partes; a aliança envolve a própria pessoa. Nela, cada um diz ao outro: entrego-me a você, acolho você e desejo caminhar ao seu lado todos os dias de minha vida.

O consentimento será pronunciado livremente, confirmado diante da Igreja e consagrado pela graça de Cristo. A partir de hoje, cada um confiará ao outro a própria vida. A alegria de um será também alegria do outro; a dor de um encontrará abrigo no coração do outro; os projetos pessoais aprenderão a crescer dentro de um projeto comum. Assim se realiza, dia após dia, a palavra do Senhor: “Já não são dois, mas uma só carne”.

Essa unidade será uma obra de toda a vida. O amor conjugal cresce quando um aprende a escutar o outro com paciência; quando a palavra é usada para consolar e encorajar; quando se sabe pedir perdão com humildade e perdoar com generosidade; quando cada um se alegra com o bem do outro; quando as decisões são tomadas em comum; quando o cansaço de um desperta a solicitude do outro. A fidelidade das grandes promessas constrói-se pela fidelidade das pequenas coisas.

II. “Eu te amei com amor eterno” (Jr 31,3)

O amor que hoje conduz os noivos ao altar nasce no coração de Deus e está inserido numa história maior. Desde a criação, Deus chama o homem e a mulher a participarem de seu amor. Ao longo da história da salvação, revela-se como o Deus da Aliança, que permanece fiel ao seu povo e lhe diz: “Eu te amei com amor eterno” (Jr 31,3).

Em Cristo, essa Aliança chega à sua plenitude. Ele se entrega à Igreja, sua Esposa, e permanece unido a ela para sempre. A aliança que hoje os noivos estabelecem entre si torna-se, portanto, sinal visível da fidelidade de Deus. Quando permanecerem fiéis um ao outro, proclamarão que Deus é fiel. Quando se perdoarem, manifestarão a misericórdia de Deus. Quando acolherem generosamente a vida, testemunharão o amor criador de Deus.
A própria liturgia ensina que Deus deixou, na união do homem e da mulher, uma verdadeira imagem de seu amor e que o santo Matrimônio consagra o amor humano. O Papa Francisco recorda que o amor conjugal é santificado, enriquecido e iluminado pela graça do sacramento (Amoris laetitia, n. 120). Cristo entra nessa união, permanece com os esposos e lhes ensina a amar com a medida de seu próprio Coração.

Haverá dias luminosos, nos quais tudo parecerá fácil. Haverá também dias de cansaço, de incompreensão e de provação. Nesses momentos, recordem-se deste altar. Aqui reconheceram que sua união é uma vocação recebida de Deus. Aqui Cristo se comprometeu com os esposos. Ele lhes dará força para se levantarem depois das quedas, perdoarem-se mutuamente e levarem o peso um do outro (cf. Amoris laetitia, n. 73).

III. “Deus habita na família real e concreta” (Amoris laetitia, n. 315)

O lar cristão torna-se santo pela presença fiel de Cristo. Deus habita na família real e concreta, com suas alegrias, lutas, sofrimentos e propósitos cotidianos (Amoris laetitia, n. 315). Ele estará presente à mesa em torno da qual a família se reunirá; no trabalho de cada dia; na oração feita em comum; na acolhida dos filhos que a Providência lhes confiar; no cuidado com os pais que envelhecem; na hospitalidade oferecida aos amigos; no serviço aos pobres e na participação na vida da Igreja.

Por isso, queridos noivos, guardem em sua casa um lugar para Deus. Rezem juntos. Participem fielmente da Santa Missa. Aproximem-se dos sacramentos. Quando a alegria visitar o seu lar, agradeçam ao Senhor. Quando surgir alguma dificuldade, procurem juntos a sua luz. Quando houver uma decisão importante, coloquem-na diante de Deus. A oração conjugal unirá seus corações à fonte do amor que hoje prometem.

O matrimônio que hoje celebramos possui uma missão diante da Igreja e do mundo. A família cristã manifesta a presença viva do Salvador por meio do amor dos esposos, de sua fecundidade, unidade e fidelidade (Gaudium et spes, n. 48).

Como afirmou o Papa Leão XIV na Missa do Jubileu das Famílias, das Crianças, dos Avós e dos Idosos, “todos nós vivemos graças a uma relação, ou seja, a um vínculo livre e libertador de humanidade e de cuidado recíproco”. Essa palavra ilumina de modo particular o sacramento que hoje celebramos: o matrimônio é esse vínculo livre, fecundo e responsável, no qual duas vidas se acolhem como dom e se tornam lugar de cuidado recíproco, de fidelidade e de esperança.

Num tempo em que tantas promessas são frágeis, a fidelidade dos esposos anunciará que o amor definitivo é possível. Num mundo marcado pelo isolamento, seu lar poderá ser lugar de acolhida. Diante do medo do futuro, sua abertura generosa à vida proclamará que cada filho é dom de Deus e esperança para a humanidade.

Queridos noivos, hoje cada um recebe o outro das mãos do Senhor. Acolham esse dom, guardem essa aliança e permaneçam fiéis à palavra que pronunciarão diante do altar. Façam de sua casa uma Igreja doméstica, na qual Deus seja amado, a vida seja acolhida e cada pessoa encontre paz.

Quando chegarem as provações, recordem-se: Deus é fiel. Quando experimentarem a alegria, reconheçam: Deus é bom. E quando os anos tiverem amadurecido o amor iniciado neste dia, suas vidas poderão proclamar juntas: o Senhor sustentou nossa aliança e conduziu-nos até aqui.

Que a Santíssima Virgem Maria e São José guardem seu lar. E que Cristo, Esposo fiel da Igreja, conserve os noivos unidos na caridade, firmes na esperança e perseverantes até o fim.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Diocese de Itumbiara
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