A MESA DA PALAVRA – Encerramento da Festa do Divino Pai Eterno, Panamá

A MESA DA PALAVRA

Encerramento da Festa do Divino Pai Eterno
Panamá, 5 de julho 2026

Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6,17).

 

Caríssimos irmãos e irmãs,

caríssimos romeiros e romeiras do Divino Pai Eterno,

sejam todos acolhidos com alegria neste dia de fé, gratidão e esperança. Chegamos ao encerramento desta Festa do Divino Pai Eterno.

Nestes dias, a nossa querida cidade de Panamá (Go) tornou-se, mais uma vez, casa de oração, de encontro e de esperança. Vieram romeiros de perto e de longe; muitos trouxeram no coração pedidos, agradecimentos, promessas, lágrimas e alegrias. Todos, porém, chegaram movidos pela mesma fé: a certeza de que Deus é Pai e não abandona os seus filhos.

O tema que nos acompanhou — “Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6,17) — ilumina a nossa caminhada de fé. “Abbá” é a palavra confiante do filho que sabe a quem pertence. É assim que Jesus nos ensinou a rezar. Diante de Deus, não somos desconhecidos, não somos estranhos, não somos órfãos. Somos filhos amados.

Este clamor não nasce apenas dos lábios; nasce da vida concreta. É o grito de quem acredita mesmo quando a estrada é longa, de quem espera mesmo quando a resposta demora, de quem confia mesmo quando não compreende tudo. Chamar Deus de Pai é entregar-lhe a própria história, com suas conquistas e feridas, com seus sonhos e preocupações, com aquilo que conseguimos dizer e também com aquilo que só o coração consegue apresentar em silêncio.

A solenidade da Santíssima Trindade nos ajuda a compreender melhor esta verdade. Deus não é solidão: é comunhão de amor — Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai nos ama desde sempre; o Filho nos revela o rosto misericordioso do Pai; e o Espírito Santo derrama esse amor em nossos corações, ensinando-nos a viver como irmãos.

São João Paulo II recorda, na encíclica Dives in misericordia, que “Deus, rico em misericórdia” é Aquele que Jesus Cristo nos revelou como Pai. Por isso, quando olhamos para Jesus, reconhecemos o rosto do Divino Pai Eterno: um Pai que acolhe, perdoa, sustenta e jamais abandona os seus filhos.

Com palavras simples e fortes, São Josemaría Escrivá nos recordava muitas vezes esta verdade gozosa da nossa fé: “Descansa na filiação divina. Deus é um Pai — o teu Pai! — cheio de ternura, de infinito amor”. A paternidade divina nos dá exatamente esta segurança: se Deus é nosso Pai, não estamos entregues ao acaso, nem caminhamos sozinhos. Esta certeza muda o modo como rezamos, sofremos, trabalhamos e esperamos. Quem sabe que é filho não se desespera; quem sabe que tem um Pai não se sente abandonado. Por isso, ao clamarmos “Abbá, Pai!”, não pronunciamos apenas uma palavra bonita: professamos uma confiança que sustenta a vida inteira.

Eis porque confiamos no Divino Pai Eterno: Ele não é um Deus distante. É o Pai que vê o cansaço do romeiro, escuta a prece silenciosa, acolhe a família que sofre, sustenta quem carrega uma cruz pesada e consola quem veio buscar uma palavra de esperança. Ele conhece cada passo dado, cada vela acesa, cada joelho dobrado e cada intenção trazida ao seu altar.

Mas a fé no Pai Eterno não nos afasta das responsabilidades da vida. Pelo contrário, quem se sabe amado por Deus aprende a amar melhor. A devoção verdadeira transforma o coração e se torna gesto concreto: reconciliação dentro de casa, paciência nas dificuldades, honestidade no trabalho, cuidado com os idosos, atenção aos jovens, misericórdia com quem sofre e coragem para recomeçar quando for necessário.

Nesta Romaria, aprendemos também que ninguém caminha sozinho. Há quem venha a pé, quem venha em família, quem venha em comunidade, quem venha com o coração ferido, quem venha apenas para agradecer. Todos se encontram sob o olhar do mesmo Pai. E quando reconhecemos Deus como Pai, aprendemos a reconhecer o outro como irmão.

Por isso, esta Festa não é apenas lembrança de dias bonitos vividos em Trindade. Ela é envio. O santuário acolhe, a oração fortalece, a bênção consola; mas depois o Pai nos envia de volta ao cotidiano, para que a luz recebida aqui ilumine nossas casas, nossas comunidades e todos os lugares por onde passarmos.

Este é o fruto que levamos para casa. A Festa termina, mas a fé continua; a Romaria se encerra, mas a caminhada cristã prossegue. Que cada romeiro volte para sua família levando mais confiança em Deus, mais desejo de oração, mais disposição para perdoar, mais cuidado com os pobres, mais amor à Igreja e mais compromisso com o bem. Que a experiência destes dias não fique apenas na memória, mas se torne vida nova, perseverança na fé e testemunho simples do amor do Pai.

À luz da revelação da Santíssima Trindade, contemplamos o Pai misericordioso e clemente, que caminha conosco e não nos abandona; contemplamos o Filho amado, entregue por nós, porque Deus tanto amou o mundo; e acolhemos o Espírito Santo, que nos faz filhos e nos ensina a clamar: “Abbá, Pai!”. Assim, a graça de Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo sustentam nossa fé, fortalecem nossa esperança e nos ajudam a compreender também a palavra do apóstolo Paulo: “Trago no meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6,17).

Estas marcas não são apenas sinais de sofrimento; são sinais de pertença, de fidelidade e de amor. Cada romeiro traz também suas marcas: o cansaço da caminhada, as preocupações da família, as lutas do trabalho, as dores escondidas no coração, mas também as marcas da fé, da perseverança, da oração e da confiança no Divino Pai Eterno. Quando unidas às marcas de Cristo, nossas feridas deixam de ser derrota e se tornam caminho de esperança.

Neste ano em que a querida Diocese de Itumbiara celebra seu Jubileu de Diamante, damos graças por uma história marcada pela presença de Deus. São décadas de evangelização, de comunidades que nasceram e cresceram, de sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos e leigas que serviram com generosidade, de famílias que transmitiram a fé e de tantos romeiros que fizeram da devoção ao Pai Eterno uma fonte de força para continuar. Também a nossa Diocese traz em sua história as marcas de Jesus: marcas de missão, de serviço, de cruz e de ressurreição.

Por isso, queridos peregrinos, não desanimem. As marcas que carregamos não têm a última palavra. A última palavra é do amor de Deus. O Pai Eterno transforma lágrimas em oração, cansaço em oferta, feridas em testemunho e caminhos difíceis em passos de salvação. Voltem para suas casas com o coração renovado. Se pertencemos a Cristo, nenhuma dor é inútil, nenhuma caminhada é perdida e nenhuma esperança é em vão. O mesmo Deus que conduziu nossa Diocese até aqui continuará conduzindo cada família, cada comunidade e cada peregrino que nele confia.

Ao voltarmos para nossas casas, guardemos três atitudes simples. Primeira: confiança filial, porque Deus é Pai e cuida de nós. Segunda: fraternidade sincera, porque somos todos irmãos. Terceira: docilidade ao Espírito Santo, para que Ele conduza nossos pensamentos, nossas palavras e nossas obras.

Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, acompanhe todos os romeiros em seu retorno. Que ela nos ensine a guardar a Palavra, a permanecer firmes na fé e a dizer sempre “sim” à vontade de Deus. Também São José de Anchieta, apóstolo do Brasil, ensinava a confiança radical em Deus ao afirmar: “Quem possui Deus nada lhe falta.” Por isso, que ninguém volte vazio: que cada um leve uma bênção, uma luz e uma decisão nova para a vida.

Que o Divino Pai Eterno abençoe nossas famílias, fortaleça os doentes, conforte os aflitos, proteja os que viajam e faça de todos nós sinais vivos do seu amor. Ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, sejam dadas a honra, a glória e o louvor, agora e para sempre. Amém.

 

Ao Divino Pai Eterno

Pai Eterno, luz serena e soberana,
que ao mundo inteiro dás perdão e abrigo,
em teu amor minh’alma se engalana
e encontra paz, vencendo todo perigo.

Se a dor me fere e a noite me profana,
teu nome santo permanece comigo
tua bondade, eterna fonte humana,
faz do meu pranto um cântico bendigo.

Tu és o Pai que acolhes o peregrino,
que ergues o caído e curas a humana sorte,
que em Cristo nos revelas o amor divino.

E, pelo Espírito, mais forte que a morte,
fazes-nos clamar, em júbilo filial:
Abbá, meu Pai, meu bem celestial.

 

Diocese de Itumbiara
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A Diocese de Itumbiara foi criada no dia 11 de outubro de 1966, pelo Papa Paulo VI, desmembrada da Arquidiocese de Goiânia; seu território é de 21.208,9 km², população de 286.148 habitantes (IBGE 2010). A diocese conta 26 paróquias, com sede episcopal na cidade de Itumbiara-GO.